Como Lidar com a Ansiedade Através do Mindfulness

Todos nós, algures na nossa vida já atravessamos momentos de ansiedade.

Se para algumas pessoas a ansiedade é uma emoção transitória e passível de ser gerida, para outros ela torna-se debilitante e generaliza-se para as diferentes circunstâncias da vida.

Surge então aqui a questão: o que diferencia estes dois tipos de pessoas? Será o seu tipo de ansiedade? Ou a forma como a vivenciam? O que te parece? A ansiedade será, em si, o verdadeiro problema?

A ansiedade é apenas uma emoção, sim, quando digo apenas não é no sentido de lhe retirar importância, mas simplesmente reconhecer que ela é apenas isso: uma emoção. E, tal como todas as emoções, ela tem uma função na tua vida. Em doses pequenas, a ansiedade pode colocar-te em contacto com aquilo que realmente necessitas.

Onde reside, então, o problema?

Em si, a ansiedade não é uma emoção má. Aliás, não existem emoções más: existem emoções que são mensageiras, que nos querem alertar para pararmos e observarmos a nossa vida num determinado momento. O que acontece é que, normalmente, estás tão desconetada/o do teu corpo, e em piloto automático, que só quando a emoção te está a asfixiar é que sentes verdadeiramente. E nesse momento em que desces ao corpo, sentes-te sem saída. As emoções apelam-te a sentir, a observar o que se está a passar na tua vida aqui e agora. Elas não são O problema, na verdade são a solução. A emoção precisa ser sentida, atravessada para ser compreendida. Assim, como podemos solucionar algo como um problema quando, verdadeiramente, não o é?

Então, perguntas tu: onde está o problema?

Bom, não gostaria de rotular a relação com a ansiedade como um problema. Mas como uma chamada de atenção da tua mente profunda e do teu corpo para a tua vida. Assim, na verdade a questão reside não no que sentes, mas nas histórias ruminativas que a tua mente, e o teu crítico interno, te contam acerca do que estás a sentir. Essas histórias rapidamente escalam e tornam-se em contos de terror que limitam a tua vida. Elas levam-te a atravessar tempos mentais longínquos e a projetar cenários catastróficos futuros. Respira, tal como nos filmes, são histórias. Tu és o espectador. Não és aquilo que está a acontecer.

Esta ruminação da mente, é o que está na base de perturbações como a depressão e a ansiedade generalizada.  É aquela conversa constante que tens na tua cabeça, a toda a hora e que te provoca agitação física e mental. Essa conversa, tira-te do momento presente e desenraíza-te do teu corpo e das tuas verdadeiras necessidades. Este diálogo interno crítico esmaga a tua mente e o teu corpo desde dentro. Os pensamentos ruminantes são tóxicos para o nosso bem-estar e claridade mental.

Esta crítica e desconfiança constante face a ti mesma/o, criam um fosso entre ti e as tuas necessidades. Esse fosso começa a tornar-se a tua “realidade”, contudo é uma realidade distorcida que te impossibilita de ver e sentir as coisas tal como elas são. Nesse fosso, vês e sentes as coisas tal como a tua mente te conta que são.  Assim, torna-se o combustível para a tua falta de atenção, concentração, confiança e segurança. Mais ainda, o teu cérebro inunda-se de hormonas de stress, numa tentativa instintiva de reduzir uma ameaça que, na verdade, está dentro da tua cabeça. E isto leva-te a sentires-te esgotada/o e drenada/o, contribuindo para aumentar os níveis de ansiedade. Entras num ciclo sem fim.

Como podes tornar-te mais consciente?

A ansiedade é a luzinha de alarme do teu painel de controlo psicofisiológico. Ela assinala-te que há qualquer coisa em desequilíbrio. Ela assinala-te a necessidade de te escutares, olhares e cuidares. Ela não é o teu inimigo, podes vê-la como uma chamada de atenção para acolheres uma prática contemplativa na tua vida.

Quando não cuidas de ti de uma forma atenta, generosa e compassiva, quando não tomas conta de ti como um/a adulta/o consciente, isto contribui para que a ansiedade se instale.

Quando não dormes de forma suficiente.

Quando não te alimentas corretamente.

Quando não comunicas o que te vai dentro.

Quando fazes de conta.

Quando estás mais presente para os outros do que para ti.

Quando não te vulnerabilizas.

Quando te anestesias.

Estás a permitir que a ansiedade assalte a tua casa e te impossibilite de entrar.

Abrires espaço à atenção plena e à auto-compaixão na tua vida, é fazeres um convite a te sentares contigo, com todos os teus pedaços perdidos e abrires espaço ao desconforto. Ao te escutares com atenção e gentileza, vais perceber as tuas necessidades e onde realmente deves estar. E este ato de generosidade fará com que o teu crítico se sinta acolhido, o que levará a que os teus níveis de ruminação diminuam. Esta viagem, vai ajudar-te a juntares as peças do puzzle e a saíres da identificação com aquilo que te acontece.

Como lidar com a ansiedade através do Mindfulness?

Com a prática Mindfulness, podes aprender a libertar-te da ruminação e a abrires espaço na tua vida à clareza mental e a uma certa facilidade de ser.

Não tenhas medo da vulnerabilidade, ela é a tua maior força.

Fica atenta/o, nos próximos posts vou partilhar contigo algumas práticas Mindfulness.

“Quando estivermos dispostos a permanecer, ainda que por um momento, com o desconforto, aprenderemos gradualmente a não ter medo dele.”

– Pema Chodron

Tu Podes Fazer a Mudança

Vamos explorar. Vamos conversar sobre como podemos encontrar a mudança.
Agora podes viver a vida que sempre quiseste.

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