5 Dicas Para Atravessares As Tuas Histórias Internas

As histórias que te contas no interior da tua mente, particularmente aquelas das quais não estás consciente, podem moldar profundamente quem és e as decisões que tomas.

Reconhecer as nossas histórias e como estas influenciam a forma como nos relacionamos com os outros, é um ponto de viragem na nossa vida. Reconhecer as nossas histórias é a pedra basilar para nos libertarmos das mesmas, tornarmo-nos conscientes de nós próprios e vivermos a nossa profunda humanidade.

Sim, é difícil vermos que as nossas histórias são só histórias, contudo quando nos tornamos conscientes das mesmas e compreendemos as suas origens, abrimos a porta para a vida acontecer.

Por natureza, todos somos (grandes) contadores de histórias. As histórias ajudam-nos a organizar o nosso mundo interno. Parte do nosso tempo, é passado a organizar e codificar os acontecimentos da nossa vida para, mais tarde os podermos utilizar para interpretar o que nos pode acontecer no futuro. Achamos nós (que grande ilusão) que esta nossa fantástica memória, nos vai proteger de futuros dissabores. Muito provavelmente, neste momento, estarás a descrever mentalmente a tua reação à leitura desta última frase. As nossas narrativas são, cultural e individualmente, tão centrais para a nossa identidade como o nome que nos foi dado.

Mas, será que elas nos definem realmente? Se tu fosses capaz de te libertar das tuas histórias, quem serias?

Começamos a criar histórias muito cedo na nossa vida, o nosso pensamento mágico leva-nos a reinos de fantasia e de terror, uma forma de lidarmos com o mundo. A maior parte das histórias que criamos sobre as nossas identidades foram moldadas pela perceção dos nossos pais, professores e pessoas significativas na nossa vida. E, quanto mais consistente for o feedback mais ela se torna real. Ou seja, as tuas narrativas são tuas? Ou são já histórias, de histórias de outras pessoas? À medida que vamos evoluindo na adolescência e idade adulta, estas narrativas pessoais são intervenientes na elaboração de quem somos e em como nos movemos pelo mundo. Elas também alimentam o tipo de experiências e relações que procuramos, refutando ou confirmando as nossas crenças e expectativas.

Mas, as nossas histórias não se desenvolvem sozinhas. Elas são moldadas por anos de interações sociais.

Porque é que estas histórias são importantes?

Quando chegamos à idade adulta, estas histórias e identidades ficam completamente ancoradas no nosso cérebro depois de anos e anos de ensaios. Isto significa que estas se tornam conteúdos inflexíveis e habituais da nossa paisagem mental. Inadvertidamente fomo-nos apegando ao seu conteúdo e, com o passar do tempo, já não somos capazes de distinguir que estas são, realmente, e de facto, apenas histórias. Passamos a acreditar que nós somos o resultado do que nos acontece, dos acontecimentos de vida, das pessoas que se cruzam connosco e, sem repararmos, tornamo-nos reféns. Ficamos presas/os no castelo do nosso conto de fadas, de bruxas ou de terror. Isto torna-se ainda mais intenso quando estamos a atravessar momentos de stress, dor e sofrimento. Nesses momentos, essas histórias tomam conta de nós, agarramo-nos a elas como o nosso colete salva-vidas, sem sabermos que é no boiar à superfície que se encontra o fôlego da vida.

Como é que podemos aprender a boiar?

Quando começas a prestar atenção ao que acontece na tua mente, muito provavelmente irás descobrir que as histórias nunca têm fim. Essa é a natureza da mente – um fluxo incessante de comentários. Prestar a atenção a estas contadores de histórias, é um passo essencial para nos libertarmos das mesmas. A melhor forma de nos libertamos passa por darmos um passo atrás e olhar para elas objetivamente, tal como se estivéssemos a assistir a um filme. Não penses sobre elas, apenas observa. Observa o seu movimento, os caminhos que percorrem. Eu sei que em momento de stress isto se torna, ainda mais, difícil, porque estas narrativas respondem muito bem ao stress. Tão bem, que justificam a sua presença.

Ainda que as nossas histórias influenciem as nossas percepções e reações, não estamos destinada/os a vivê-las eternamente. Sim, não estás destinada/o a viver as tuas narrativas para sempre. Contudo, estas ao longo do tempo tornaram-se as lentes com que lês o mundo e alimentam os teus estados emocionais em momentos de crise e stress.

Aprender a conhecer as nossas narrativas, é sem sombra de dúvida, essencial para vivermos uma vida mais plena, livre e coerente com aquilo que somos.

Estas narrativas, são apenas pensamentos que correm pela nossa mente sem parar. Fazem parte da nossa natureza e da nossa condição humana.

O momento de transformação dá-se quando: nos damos conta das nossas histórias e decidimos se queremos viver a partir delas ou, se escolhemos um novo caminho.

 

Estas 5 dicas poderão ajudar-te a dar o primeiro passo.

 

1- Permite que todos os teus pensamentos, emoções e sentimentos possam ir e vir.

Isto vai ajudar-te a suavizar as tuas reações com o que quer que surja. Permitir algo, é uma atitude baseada na curiosidade e bondade que te vai possibilitar olhar para as tuas histórias de uma forma mais profunda. Este movimento, ajudar-te-á a aprender algo com o que te acontece, em vez de ficares refém. Ao permitires esta expressão natural, vais aprender a aceitar os teus pensamentos e emoções como veículos do “dar-se conta”, mais do que uma prova do que quer que seja. Isto inclui os sentimentos de não merecimento e sentimento de insuficiência. Permitir, vai ajudar-te a reconhecer um pensamento tal como ele é, apenas um pensamento, quer tu gostes dele ou não.

 

2- Testemunha a narrativa a partir da qual construíste a noção de ti mesmo.

Tu podes tornar-te consciente dos hábitos da tua mente em criar narrativas sobre ti, sem te identificares com elas. Testemunhar é observar o conteúdo da tua mente com curiosidade, não julgamento e aceitação. Não é uma forma de te apegares ou evitar o que quer que seja. O ato de testemunhar, ou observar, permite-te olhar de uma forma mais profunda para os acontecimentos da tua vida com o coração aberto (mesmo nas situações mais difíceis). Imagina o que seria descobrires que te podes libertar de pensamentos, memórias e dores que já não te fazem falta? Que só estão ali presentes porque são peças de uma história que estás, tão simplesmente, habituada/o a contar a ti mesma/o.

 

3- Reconhece o que experiencias nas histórias que contas a ti mesma/o.

O silêncio, o sentares-te contigo mesma/o, a observar o que surge é uma ferramenta poderosa. Observa as sensações físicas, pensamentos, emoções que vais experienciando ao longo das histórias, observa como eles vão e vêm. Utiliza simples frases para reconheceres a tua experiência, tais como “preocupação”, “desejos”, “fantasias”, “memórias” … Existe nesta tua narrativa alguma personagem que estás a tentar criar ou aniquilar? Dá-te conta de elementos que se repetem ou que são habituais nas tuas narrativas. Há um tema? O narrador é cruel ou bondoso, brilhante ou cego? Consegues dar-te conta de julgamentos que te são familiares? Reconhece o que surge, tal e como é. Não precisas de mudar nada, não precisas chegar a lugar nenhum. Apenas reconhecer e soltar.

 

4- Solta os conceitos sobre ti, que foste criando a partir destas mesmas narrativas.

Desidentifica-te da forma habitual, e familiar, como pensas acerca de ti. Vergonha, perda, ganho, prazer, sucesso, dor… tudo são experiências transitórias e impermanentes, não são atributos de quem tu és. Não te definem. Quando começares a “permitir”, “testemunhar” e “reconhecer” as tuas histórias, poderás finalmente parar de te identificares com as mesmas. Não tens que acreditar em tudo o que a tua mente te conta. Porquê ficares na gaiola quando tens a porta completamente aberta para voares? Deixa as coisas irem, solta. Deixa ser.

 

5- Relaxa, facilita e emerge deste transe de não merecimento.

Quando estás presa/o na noção de seres inadequada/o e não merecedor/a, parte do teu diálogo interno está baseado em comentários sobre como estás a fazer as coisas, como te mostras ao mundo, como os outros te vêm, e a maior parte deste diálogo coloca-te em comparação com os demais, criando de imediato fortes julgamentos em relação a ti própria/o. Sabes, nem tudo é sobre ti. Para além disso, quando ficas presa/o nos pensamentos acerca de ti mesma/o, estás a perder o que realmente está a acontecer em momentos que dificilmente voltarás a viver.

 

Permitir, testemunhar, reconhecer e soltar são ferramentas essenciais no que toca ao movimento de nos libertarmos das narrativas da nossa mente. Um pensamento é só um pensamento, uma história é só uma história. Recorda-te:

Tu tens uma história, mas não és a tua história.
Permite-te viver, em presença, aquilo que te toca viver. Sente.
És tão somente um ser humano.

Tu Podes Fazer a Mudança

Vamos explorar. Vamos conversar sobre como podemos encontrar a mudança.
Agora podes viver a vida que sempre quiseste.

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