Como Sobreviver à Dor do Luto?
Uma conversa sobre o luto e como o atravessamos. Porque o tempo não cura, transforma, e não superamos o luto, aprendemos a crescer à sua volta.
Fui convidada do podcast Vida de Terapeuta para uma conversa profunda e muito humana sobre o luto, provavelmente a maior dor que o ser humano pode sentir e, ainda assim, um dos temas que mais evitamos nomear.
Costuma dizer-se que o tempo cura tudo. Mas o tempo não cura, ajuda-nos a ganhar perspetiva. Por isso explico nesta conversa porque é que o luto não tem etapas que cumprimos por uma ordem certa, mas sim tarefas que vamos fazendo com a vida: aceitar a realidade da perda, processar a dor, ajustarmo-nos a um mundo sem aquela pessoa e, por fim, manter laços que permanecem, os continuing bonds.
Uso muito a metáfora da Montanha. O luto é uma montanha que fica sempre lá, do mesmo tamanho. O que muda é que a vida cresce à sua volta, novas relações, novos caminhos, e nós vamos ganhando distância. Mas basta um cheiro, uma música, uma memória, e voltamos a aproximar-nos dela. E não há mal nenhum nisso. Emocionarmo-nos é sinal de que aquela pessoa existiu e de que a relação foi bonita.
Falo também do peso do silêncio à volta da morte, muitas vezes mais difícil do que a própria perda, da importância dos rituais de despedida, sobretudo quando não há corpo nem funeral possível, do luto antecipatório por quem ainda cá está, e de como podemos acompanhar alguém que sofre sem termos medo de nos sentar com a dor do outro. Porque quem perdeu alguém não quer que lhe tirem a dor, quer sentir que alguém está ali, a testemunhá-la.
Uma conversa sobre coragem, memória e sobre a forma como honramos quem amámos.
Pronta para dar
o primeiro passo?
Podemos começar devagar.
Ao teu ritmo, com espaço para perceber.